Entrevistas


25 Abr 2019

"Tenho a sensação de que uma vida é pouco para fazer tudo", diz Fernando Torquatto em entrevista ao Alô Alô Bahia

Tamyr Mota

Diretor de conteúdo do Alô Alô Bahia. 

"Tenho a sensação de que uma vida é pouco para fazer tudo", diz Fernando Torquatto em entrevista ao Alô Alô Bahia Em meio a uma agenda atribulada, com cursos e editoriais, Fernando Torquatto nos recebeu, minutos antes de iniciar uma maratona de atendimentos em Salvador, no Hotel Fasano. No bate papo conosco, falou do começo da sua carreira, como nasceu a ideia de um livro para celebrar os 25 anos de sucesso, sua relação com a Bahia e claro, sobre a beleza da mulher baiana. "Estou aqui para celebrar tudo isso", disse ele. Confiram... 

Alô Alô Bahia: Como nasceu a ideia do livro que marca seus 25 anos de carreira?
Fernando Torquatto: O livro chega para marcar um ciclo. Estou em um momento de plena consolidação de carreira. Então, agora eu tive vontade de que as pessoas pudessem ver e olhar aquilo tudo do que eu fiz. Às vezes pegamos um automático e não percebemos o tanto que já fizemos então isso tá sendo muito bom para que eu possa avaliar a minha própria trajetória. Por exemplo, na época da revista QUEM, eu tinha que fazer toda semana um ensaio diferente, então não tinha tempo de apreciar. E agora fui analisar as coisas e fui ver o quanto eu já era afortunado desde aquela época. Então a ideia é celebrar por estar há 25 anos no mercado, que já é um número bem significativo.

Alô Alô Bahia: Você tinha todo esse acervo? Como se deu o processo de reunir esse material?
Fernando Torquatto: Eu já vinha elaborando isso. Na verdade acho que desde que nasci eu queria fazer um livro (risos). Desde que comecei a ganhar dinheiro eu sempre investi em livros. Eu viajava e comprava no mínimo três livros e era engraçado como aquilo pesava na mala. Também no Brasil não havia o acesso que temos hoje em dia. Então eu tenho muitos livros em casa e aí comecei a perceber que faltava o meu ali, naquele acervo (risos).  Aí voltou aquele desejo de garoto. Então não me planejei muito. Fui assistir um desfile em São Paulo que era do patrocinador, conheci a pessoa de marketing e sabe quando de cara dá certo? Dei a ideia e no no dia seguinte ela me ligou e disse que estava tudo certo. Que eu teria o meu livro. E na editora que eu sempre sonhei, que eu queria trabalhar. Então eu corri atrás. Trabalhei em selecionar tudo, revirei arquivos e mapeei por nomes de gente que eu gosto e que não poderia ficar de fora.

Alô Alô Bahia:  Como será o lançamento?
Fernando Torquatto: As capitais estabelecidas no projeto são: Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. E eu quero também fazer em Salvador, nem que seja na praça (risos). Aqui eu sei que irei fazer! E tem vários formatos. Lá em São Paulo, por exemplo vai ter uma exposição. Eu acho bacana o todo, porque não é uma festinha de comemoração. É uma grande celebração e aqui eu tenho certeza que vai acontecer, de uma maneira ou de outra.

Alô Alô Bahia:  Você chegou onde você queria? 
Fernando Torquatto: Sempre penso em qual será o próximo passo. Mas chega uma hora que temos que relaxar um pouco. Parar, olhar o pôr do sol e aproveitar um pouco o momento. E isso é um pouco difícil, fico meio agoniado e essa inquietude me fez ser mais relevante e ficar até hoje como estou no mercado e na posição que estou. Eu gosto de movimentar o meu interior, o meu criativo, me dá trabalho mesmo de verdade, mas é como eu quero que as pessoas cada vez mais possam sentir o que eu estou fazendo. Eu ainda tenho tanta coisa incrível para  fazer tudo que quero. E as vezes eu tenho uma sensação de que uma vida não é o suficiente.



Alô Alô Bahia: E em qual o momento da vida você despertou para o que queria fazer? 
Fernando Torquatto: Aconteceu! Porque eu sabia que eu era diferente. Diferente no sentido que eu não teria nenhuma tendência de fazer nada formal. Então eu gostava de cantar, pinta, desde pequeno gostava de interpretar, ver muitos filmes com minha mãe. Meu pai fotografava como hobbie, minha irmã cantava, tocava guitarra. Eu tinha uma coisa que ao mesmo tempo que eu queria fazer algo no palco, eu era muito fechado e isso fui fazendo curso de teatro e percebendo que eu não tinha o preparo emocional para aquele tipo de disposição. Fui caindo mais pra área das belas artes, e achei também que era muito solto. E quando eu vi que existia comunicação visual, tinha desenho, tinha fotografia, achei que era algo mais próximo do que eu queria para minha vida. E como era muito abrangente, eu adorei.

Alô Alô Bahia: Então primeiro veio a fotografia...
Fernando Torquatto: Isso! Na questão da fotografia me encaixei muito. Porque ali eu estava em contato com o que eu gostava, eu gostava de gente e aproveitava para falar com todo mundo da faculdade e convidava para fotografar e já pegava a maquiagem e fazia um delineador, uma make anos 60. De modo geral, algo que parecesse mais desenho na verdade. Anos 60 era perfeito e fui tendo habilidade. Nesse momento fui trabalhar em uma loja e um diretor de comercial que era meu cliente, viu uma foto minha e me convidou para fazer um trabalho com ele e ali tudo se iniciou.  De qualquer maneira não ficava preso em lugar nenhum e trabalhava com refletores, com luzes, com diretores, e aquilo ali era muito estimulante porque eu também fugia da realidade. Ficava 8 horas preso em um estúdio e esquecia que a vida normal existia. Depois também fiz um desfile pequeno, depois uma coisa maior. Comecei a trabalhar em 1994 e já ganhei um prêmio como melhor maquiador do Brasil. Enfim, tudo também era uma forma de eu registrar meus trabalhos. Então eu chamava o povo no cantinho, as meninas, os meninos, as modelos e fazia as fotos. E algumas dessas fotos estão comigo até hoje. Então é muito incrível. Aquele momento de escape que eu tinha, surrupiava a modelo em uma posição e fazia meu registro, virou um olhar, uma marca.

Alo Alô Bahia: E depois disso, houve momentos que as grandes marcas de beleza do país queriam ter você agregadas a elas. E isso foi um passo importantíssimo, depois foi ao contrário. Como foi essa transição?
Fernando Torquatto: Foi muito importante. Porque eu fui o 1º maquiador a assinar como uma multinacional que foi a L’Oréal e eu era uma espécie de embaixador porta voz e aquilo me colocou em um outro patamar. Comecei a ficar pop dentro deste universo. Depois foi como você falou. As coisas se inverteram um pouquinho. Em 2003, fui chamado para fazer a minha primeira novela, que foi “Da Cor do Pecado”. Depois a Joyce Pascowitch me convidou para ter uma coluna na revista QUEM, onde eu já tinha exposto minha vontade de ter um espaço daquele tipo. E virou uma coluna que cresceu, onde criei o meu universo e todos entendiam por que tinha ali uma licença poética. Essa combinação me levou para outra esfera e virei um cara muito conhecido. Foi aí quando entrei no Grupo Boticário, e a ideia já era outra, criei a MakeB, e foi uma parceria duradoura.

Alô Alô Bahia: Também teve programa de televisão...
Fernando Torquatto: Sim! E veio a questão do Super Bonita, exibido pelo GNT. Então, foram os 3 pilares onde consolidei a minha carreira. De A a Z, para qualquer tipo de público, uma pessoa muito simples sabia quem eu era e uma pessoa extremamente sofisticada também.
 
Alô Alô Bahia: Nesse tempo de carreira, alguns artistas fizeram parte de um momento especial de sua vida?

Fernando Torquatto: Esse trio:  Reinaldo Gianecchini, Tais Araújo, Giovanna Antonelli, nós criamos um vínculo muito forte que se estabeleceu na novela “Da Cor do Pecado”, na TV Globo. Era um passo muito forte para todos nós. Como a Taís Araújo falou no depoimento do livro. “Não é que eu fui um profissional incrível, eu fui um ombro amigo”. Tem também a Carolina Dieckmann também eu amo, a Preta Gil, a Isis Valverde e a Alice Wegmann. Na Bahia, tem a Ivete Sangalo, com quem trabalhei, e é incrível! E a Daniela Mercury, que tem se tornado uma pessoa cada vez mais especial.

Alo Alô Bahia:  E sua história com Salvador. Você é praticamente um baiano...
Fernando Torquatto: Eu adoro a Bahia. Me sinto muito feliz aqui! Já venho há 16 anos, mas com certeza o grande divisor de águas dessa situação é o Carlos Rodeiro. Desde que nos conhecemos e nos tornamos amigos, desde que percebi o quanto ele é generoso e do bem, o quão busca interferir de forma feliz na vida dos seus amigos, eu não quis deixar de estar com ele, aqui. Ele me trouxe para viver a cidade, para olhar o pôr do sol na Baía de Todos os Santos, para aproveitar um café da manhã que só tem na casa dele. Esse mix de coisas incríveis e simples, me fez amar tudo aqui. Sou fã do talento dele, ele representa o que a Bahia tem de melhor em todo o mundo.     
 
Alo Alô Bahia:  Conta como funciona seus cursos de automaquiagem...
Fernando Torquatto:  Eu venho exercitando vários formatos. Desde uma sala mais intimista, como faço aqui em Salvador, com 10 ou 12 pessoas, até em praça de shopping, por exemplo, porque eu sempre quis acessibilizar meu conhecimento. Para uma mulher mais sofisticada que está acostumada a fazer com maquiador e as vezes tem preguiça ou acha que não é importante eu consigo fazer com que ela entenda que é importante que qualquer mulher moderna tem que saber se virar. E uma pessoa que não tem acesso nenhum a maquiagem, faço ela perceber que ela pode ir comprando aos pouquinhos suas coisas e como aquilo vai ser importante para vida dela, não só pessoal, mas também como também profissional, pois vai ajudar com que ela crie uma imagem que fique mais coerente com quem ela é. E eu vim pra cá e quis ficar uma semana para poder celebrar essa mulher baiana, celebrar essa beleza da mulher baiana, esto aqui para celebrar tudo isso! E óbvio que no meu discurso também vem imbuído essa questão da autossuficiência, de ter uma imagem, da importância da imagem, e eu sempre falo, antes que alguém queira dizer quem você é, mostra logo na sua cara quem você é.
 
Fotos: Reprodução. Siga o insta @sitealoalobahia.