Entrevistas


21 Ago 2019

Alô Alô Bahia entrevista a escritora baiana Telma Brites

Baiana radicada na Europa, a escritora Telma Brites lança ao público a sua mais nova obra, inspirada na mitologia grega, “Gaia – O Templo Esquecido”. Morando na Alemanha há 17 anos, Telma está em Salvador nesta semana, onde promoverá amanhã (22), na Livraria Leitura do Shopping Bela Vista, uma sessão de autógrafos. Em conversa com o Alô Alô Bahia, ela conta mais detalhes sobre o seu novo trabalho e da sua experiência internacional. Vem saber!


Alô Alô Bahia: O que te motivou a ser escritora?

Telma Brites: Os livros fizeram parte da minha vida desde criança. Sob a influência da minha mãe, pedagoga, e do meu irmão mais velho, que não largava livros, desenvolvi hábitos de ter sempre um livro perto e sonhar com ele. Andar por caminhos imaginários cheios de romance, aventura e mistério. Cresci tendo o sonho de um dia passar as fantasias que dominavam, constantemente, a minha mente para o papel. Comecei um livro aos 13-14 anos, que foi perdido com o tempo e os deslocamentos. Na França, a inspiração me levou para o mundo da poesia e só na Alemanha consegui ter a coragem de realizar o antigo sonho que foi o de escrever um livro. Assim nasceu o volume 1 ‘Gaia – A Roda da Vida’.

 
Alô Alô Bahia: Quais são os principais aprendizados profissionais que a experiência na Europa te trouxe?

Telma Brites: Na França, fui inicialmente autodidata na arte de ensinar português. Ao longo do tempo, fui me formando e trabalhando como professora nos colégios até o momento de me sentir motivada e segura para passar o CAPES - Certificat d’Aptitude au Professorat de l’Enseignement du Segund degré, diploma de ritualização, para lecionar língua portuguesa até o segundo grau. A França me ajudou a confiar mais em mim e no meu potencial, a descobrir capacidades que até então eu desconhecia. E na Alemanha não foi o contrário. Como nas escolas não se ensina o português, comecei a fazer o que sempre gostei e já fazia como amadora, aqui no Brasil. A arte de representar. Fiz teatro em português e em alemão, mesmo que a língua alemã não fosse o meu ponto forte. Interpretei pequenos papeis em curtos filmes para estudantes universitários e na televisão. Com a cara e a coragem e o coração em prantos, enfrentei os meus medos e decidi conquistar meu espaço em uma cultura diferente. Então, na procura de me reencontrar enquanto ser, mulher, mãe eu aprendi recomeçar e reaprender o que já conhecia e o novo também.

 
Alô Alô Bahia: Como surgiu o interesse em trabalhar com a mitologia grega?

Telma Brites: Gosto muito de mitologia. Sempre acompanhei os livros e os filmes com temas mitológicos e fantasia com os meus filhos, desde o mais velho, hoje com 28 anos, até a minha caçula, 16 anos. Lia livros com este tema, ficava impressionada como a mitologia está tão incrustrada “disfarçadamente” na nossa sociedade, por exemplo, a palavra cronológica vem do deus Cronos; pânico vem do deus Pan e assim por diante. Este mundo sempre me fascinou. Então, pesquisei para aprender mais do que eu sabia e poder escrever os livros ‘Gaia – A Roda da Vida’ e ‘Gaia – O Templo esquecido’, que têm como pano de fundo a mitologia grega.
 

Alô Alô Bahia: Quais são as expectativas com a sua nova obra “Gaia – O Templo Esquecido”? O que o público pode esperar dessa história?

Telma Brites: ‘Gaia – O  Templo Esquecido’ é o seguimento de ‘Gaia - A roda da vida’. O primeiro é o confronto da personagem principal em aceitar os desígnios que o universo colocou nas suas mãos, por via de uma profecia onde ela vai crescer e amadurecer, enfrentar os seus medos e anseios, encontrar o amor. O segundo 'Gaia o Templo Esquecido' é a procura de si mesma, é o encontro com a separação, com a solidão para a partir daí aprender a se desprender da carga do passado e das expectativas do futuro, e viver somente o aqui e agora. Assim, o segundo livro da trilogia esclarece o leitor, fechando os vários pontos deixados abertos e levando-o a refletir sobre nossa real natureza.
 

Alô Alô Bahia: A inspiração para a sua nova obra surgiu quando você estava de férias em Creta, na Grécia. Comente um pouco mais sobre essa viagem.

Telma Brites: Creta é uma ilha maravilhosa e a morada de Zeus enquanto criança. Então, a energia dessa terra flora por todos os lados. Foi assim que, terminada as férias, parei para meditar em agradecimento aos maravilhosos momentos passados lá. Faltavam algumas horas para o ônibus nos levar ao aeroporto e, então, vi o que já tinha visto e nunca enxergado, um monte rochoso alongado que naquele momento me pareceu um gigante adormecido com as mãos cruzadas no peito. Ficava ao lado da pequena montanha onde estava o hotel. E foi aí que o gigante adormecido em mim acordou transbordando minha imaginação e me trazendo a história da minha Gaia, que na Original é a própria terra, a mãe terra da mitologia.

 
Alô Alô Bahia: Quais são as suas principais fontes de inspiração para escrever? Como funciona o seu processo criativo?

Telma Brites: Eu escrevo a partir da minha própria vivência e das experiência do cotidiano, o que vejo, o que como, os lugares que ando, por ex. a cidade de Colônia, Sechtem, cidades alemãs que já morei ou moro. As partes “realidades” do livro são autênticas, nada é imaginado. ‘Gaia - A Roda da Vida’ e ‘Gaia - O Templo Esquecido' só conseguia escrever nos Cafés de Colônia e Bonn (cidades alemãs). O murmurinho de vozes misturado com a música de fundo, me faz entrar em um casulo onde só existe eu com meu coração e minha mente e o computador. Já o volume 3, ‘Gaia - A Cidade da Luz’, que já está na fase de revisão e será lançado antes do Natal, eu só consegui escrever em casa pois necessitou de muita pesquisa.
 

03 Ago 2019

O empresário Rodrigo Pithon explica porque tem apostado na região do Morro Ipiranga

Em entrevista ao Alô Alô Bahia, Rodrigo Pithon, um dos sócios do Office Morro Ipiranga, empresarial lançado recentemente na Barra, explica detalhes do empreendimento, comenta a atual situação do mercado imobiliário em Salvador e fala sobre os lançamentos futuros do grupo.  

Alô Alô Bahia: Qual a atual situação do mercado imobiliário corporativo em Salvador?
Rodrigo Pithon: 
O mercado imobiliário corporativo em Salvador sempre teve sua oferta de produtos muito concentrada em uma região específica da cidade. Os empreendimentos comerciais que foram desenvolvidos ao longo dos últimos anos se concentraram na região da Avenida Tancredo Neves, Iguatemi, Stiep e Magalhães Neto. Essa região acabou sendo entendida como o novo centro comercial e empresarial da cidade. Os lançamentos mais recentes foram poucos e muito pontuais. Entendemos que um novo ciclo de lançamentos vai acontecer e o Office Morro Ipiranga vem como uma grande oportunidade iniciando esse ciclo.

Alô Alô Bahia: Por que escolher a região do Morro Ipiranga?
Rodrigo Pithon: 
Como os lançamentos empresariais nos últimos anos se concentraram em uma única região, percebemos que outras regiões da cidade ficaram esquecidas para esse tipo de produto, não havendo qualquer nova oferta. Passamos a buscar terrenos nos bairros de Ondina, Graça, Barra, Chame-Chame e Morro Ipiranga, de forma a desenvolver um produto que atendesse a grande demanda que esses bairros tem por um novo empreendimento empresarial, onde o conceito dos grandes centros urbanos pudesse ser atendido, qual seja: residir, trabalhar e se entreter em uma mesma região, reduzindo, sobretudo, o trânsito e evitando grandes deslocamentos.

Alô Alô Bahia: O que o Office Morro do Ipiranga tem de atrativo?
Rodrigo Pithon: 
O Office Morro Ipiranga tem alguns atrativos. Em primeiro lugar a localização pois ele fica logo na entrada do Morro Ipiranga e tem um acesso muito fácil. Em segundo lugar, desenvolvemos junto com nosso arquiteto Jose Marcelino salas com tamanhos de 28m² a 53m² e que permitem layouts variados. Temos a opção da laje corporativa com um tamanho de aproximadamente 150m² e que atende a muitas empresas pois é comercialmente viável do ponto de vista do investimento. Além disso, o Office Morro Ipiranga tem vagas para visitantes, algo muito requisitado pelos proprietários de salas em empreendimentos comerciais.

Alô Alô Bahia: Quais as empresas responsáveis pelo empreendimento?
Rodrigo Pithon: 
A realização do empreendimento é feita por um grupo de investidores que tem como principal sócio a GPE Participações e Empreendimentos. Ela desenvolveu diversos empreendimentos imobiliários em Salvador e em outros estados como São Paulo. São exemplos os prédios Luz da Manhã e Sol da Manhã na Pituba, Torre do Atlântico e Varandas Alto do Itaigara no Itaigara, Bahia Bela no Rio Vermelho e Port Saint Marine em Stella Mares. Por isso tem bastante experiência no desenvolvimento de projetos desse porte. A construção será realizada pela AS Engenharia. Ela tem bastante experiência na área de construção civil e tem em seu portfolio clientes de porte relevante no mercado como Siemens, Vale, Via Bahia, Coelba, Ministério Público Federal, Justiça Federal, Tribunal de Justiça da Bahia dentre outras. As empresas responsáveis pelo Office Morro Ipiranga tem experiência no mercado imobiliário, no setor da construção e com esse produto oferecem ao mercado um empreendimento com alta qualidade aos seus clientes.



Alô Alô Bahia: Em que o Office Morro do Ipiranga é inovador?
Rodrigo Pithon: 
A grande inovação que o Office Morro Ipiranga traz é ser o mais novo empreendimento comercial em uma região tradicional da cidade e que está carente desse tipo de produto nos últimos anos. São apenas 40 salas e 03 lojas a disposição de um mercado com alta demanda. O morador de bairros como Barra, Ondina, Graça, Chame-Chame tem a oportunidade de trabalhar perto de casa, sem ter os transtornos de um transito pesado e que absorve o tempo de todos. É ter o privilegio de poder almoçar em casa com a família por exemplo, algo que quem mora nesses bairros e trabalha nos empresariais da Avenida Tancredo Neves tem muita dificuldade de fazer. O Office Morro Ipiranga é inovador quando oferece a oportunidade de levar mais qualidade de vida para os moradores dessa região da cidade.

Alô Alô Bahia: Como tem sido a procura pelas unidades do empreendimento?
Rodrigo Pithon: 
A procura tem sido muito interessante e temos apresentado o empreendimento a clientes que tem interesse de usar as salas para seus ramos de atividade e a investidores que tem como objetivo ter um retorno financeiro quando o empreendimento estiver pronto. O Office Morro Ipiranga tem o formato de sistema de condomínio e por isso as unidades são ofertadas a preço de custo. Com isso o Office está sendo procurado por diversos perfis de clientes.

Alô Alô Bahia: Qual o status da obra hoje?
Rodrigo Pithon: 
Nós resolvemos adiantar o inicio das obras executando as fases de demolição, contenção e terraplenagem. Essas fases estão praticamente concluídas. Todo o orçamento da obra está concluído e detalhado e isso é fundamental em uma obra de sistema de condomínio. Isso traz segurança aos adquirentes. Para demonstrar o nosso compromisso junto ao orçamento, assumiremos o custo que ultrapassar 15% do orçamento da obra. Além disso, todos os projetos foram desenvolvidos no sistema BIM, que permite uma obra com alta qualidade técnica e eficiente controle financeiro. Isso é algo totalmente inovador no nosso mercado local e buscamos com isso que o Office Morro Ipiranga seja um absoluto sucesso.  

Alô Alô Bahia: Qual a expectativa de vocês com o Office Morro Ipiranga?
Rodrigo Pithon: 
A nossa expectativa é entregar um empreendimento de qualidade, tendo compromisso com o orçamento e com o prazo assumido junto aos clientes. Entendemos que o mercado imobiliário local precisa se fortalecer com empreendimentos que tragam credibilidade junto aos clientes e investidores.Temos certeza que alcançaremos todos os objetivos com o Office Morro Ipiranga.

Alô Alô Bahia: Quais os próximos lançamentos do grupo?
Rodrigo Pithon: Nós já temos dois terrenos na cidade para próximos lançamentos e um grande projeto no Litoral Norte em uma área de aproximadamente 750.000,00m². É um bairro planejado com condomínios de casas, lotes e apartamentos. Em breve apresentaremos ao mercado.

Fotos: Reprodução. Siga o insta @sitealoalobahia.

31 Jul 2019

Alô Alô Bahia entrevista a bioconstrutora Monique Reis

Monique Reis é Engenheira Civil e Bioconstrutora com especialização em sistemas de instalações prediais. Trazendo a sustentabilidade em pauta, a sua atuação profissional visa contribuir para que o desenvolvimento proporcionado pela construção civil aconteça com o menor impacto negativo possível para o meio ambiente. Confira a entrevista:


Alô Alô Bahia: O que te despertou o interesse em trabalhar nesta área da bioconstrução?

Monique Reis: "O planeta entrou em déficit de recursos naturais em 1970. Desde então, a humanidade tem consumido mais do que o planeta consegue regenerar". Esse trecho foi retirado da G1, notícia que traz a sobrecarga da Terra, o planeta atingiu o esgotamento de recursos naturais no dia 29/07/19. Precisamos de 1,75 Terras para alimentarmos o nosso consumo. Se não começarmos a reeducação dos nossos hábitos e atitudes, a natureza nos mandará uma conta que não conseguiremos pagar. A bioconstrução é um dos nossos novos hábitos necessários. Nela, o respeito com os materiais necessários à construção são retirados de locais próximos e sem a tanta exploração. Existe o estudo da paisagem e do usuário, a sua moradia não é isolada de onde você vive. Tudo está integrado, o sistema é fechado. A energia que entra se multiplica, compostagem, saneamento ecológico, integração com animais, autoconstrução e respeito ao materiais da nossa Terra. Tudo isso me despertou.


Alô Alô Bahia: A bioconstrução é caracterizada pela utilização de técnicas e materiais mais sustentáveis. Como você enxerga o atual cenário desse mercado no Brasil e quais são as perspectivas de futuro? Este é um mercado acessível para grande parte da população?

Monique Reis: Na verdade, eu não enxergo como um produto para o mercado de trabalho. É também. Mas o que eu busco disseminar é o despertar que eu tive. Conheço casas que foram construídas por menos de 500 reais. Terra para construção retirada do local, telhas reaproveitadas de outra casa que foi demolida, estrutura do telhado feito da mata ao redor do terreno, fundação de pedra, sem nenhum cimento e por aí vai... no entanto, quantas pessoas você conhece que tem a sua própria casa? E não tem, por quê? Por falta de dinheiro... mas que confuso, talvez o que falta é o conhecimento ancestral onde a falta não existia. A bioconstrução é abundância e é isso que eu quero trazer, ensinar as pessoas a construir, pintar, se autonutrir. A natureza já nos dá tudo o que precisamos. O Brasil é muito rico, a natureza muito abundante, é muito cruel o que o "mercado de trabalho" apresenta como produto. Eu quero mais do que isso. A bioconstrução é difundida em todo o mundo, o Brasil ainda está atrasado nessa "descoberta", já é hora de despertar.


Alô Alô Bahia: Como a bioconstrução pode contribuir para que a construção civil minimize seu impacto negativo no meio ambiente, como o consumo dos recursos naturais e emissão dos gases de efeito estufa? Como ela pode ser aplicada de maneira prática na hora de uma pessoa pensar o seu projeto?

Monique Reis: A bioconstrução fará uma leitura da região da construção e buscará usar materiais de regiões próximas. Resultado, menos gases de efeito estufa. Utilizando o material do local, você retira dali o que é necessário para a sua construção e não para 500, 1000 unidades, ou até acabar todo o material natural daquele local. Então não existe a extinção da matéria-prima. Reduzimos os danos ambientais e usamos de forma mais respeitosa is nossos recursos. Seu lar se torna uma maneira de se integrar com o meio natural. Na hora do projeto, podemos pensar em tetos verdes para casas pequenas sem áreas de jardim, podemos pensar em curvas mais sinuosas, para quem não gosta de quadrados tão replicados na construção civil, podemos pensar em paredes integradas com móveis, para aproveitamento do espaço, tintas ecológicas... são muitas formas de aplicar.


Alô Alô Bahia: Qual é a importância e quais são as vantagens da bioconstrução para os agentes envolvidos (população, mercado, meio ambiente)?

Monique Reis: A bioconstrução é um conhecimento ancestral, as casas antigamente eram construídas com os materiais disponíveis naquela região. Então, a importância da bioconstrução está em nos reconectar com essa ancestralidade sábia, que usava a natureza como aliado às suas necessidades. Dentre as vantagens para a população, as casas funcionais, termicamente agradáveis independente da região de construção, inteligentes - aquecimento de água por meio de serpentinas, às vezes integradas ao fogão à lenha, fogueiras ou até por meio de aquecimento solar utilizando materiais de baixo custo. Existem também os tetos verdes para locais com pequenos espaços para jardins, dentre outras tantas... Para o mercado, a possibilidade de se reformular e se enquadrar à necessidade do Planeta Terra. Para o meio ambiente, a bioconstrução é uma esperança. Reduzimos os danos e utilizamos os recursos com sabedoria.


Alô Alô Bahia: Quais são os impactos na qualidade da construção com a utilização de técnicas e materiais mais sustentáveis?

Monique Reis: As técnicas da bioconstrução buscam utilizar o mínimo possível de materiais tóxicos, isso permite que crianças, jovens, homens e mulheres se relacionem de uma maneira mais efetiva e afetiva. A sua casa pode ser construída por você, independente da idade, sexo, gênero. Isso é muito lindo. Os relatos de pessoas que ajudaram, participaram da construção do seu lar são lindos, esse é um impacto muito importante. Além disso, utiliza-se também de muita arte em uma casa bioconstruída, paredes com garrafas coloridas, com vidros antigos de carro, gradis com correntes de bicicletas antigas, é um lugar de muita criação e muito pessoal. Cada casa é única.


Foto: Reprodução. Siga o insta @sitealoalobahia.
 

29 Jul 2019

Site Alô Alô Bahia entrevista Malu Fontes

Em tempos nos quais o jornalismo e a liberdade de imprensa são assuntos que estão bastante em voga, a jornalista e professora de jornalismo da UFBA, Malu Fontes, conversou com o Alô Alô Bahia sobre os atuais acontecimentos que estão em destaque no Brasil, democracia e o papel das redes sociais na sua vida profissional. Confira:


Alô Alô Bahia: Com os acontecimentos atuais relacionados às mensagens que têm sido divulgadas pelo The Intercept Brasil, muito se tem discutido sobre liberdade de imprensa e democracia. As opiniões têm sido bastante divergentes nesse sentido. Em sua opinião, de que forma o jornalismo pode contribuir para a democracia?

Malu Fontes: O jornalismo só serve para uma coisa, e se não cumprir seu papel nisso, algo tá errado e as pessoas passarão muito bem sem ele: contar, mostrar às pessoas, como os poderes constituídos, a arte, a cultura e a sociedade ao redor, a local e a global, estão se comportando. Como estão agindo e funcionando e como essas engrenagens provocam impacto na vida de quem lê o jornalismo. Se você lê algo jornalístico que não lhe diz nada sobre essas questões, para que ler? Por que ler?

Associar o jornalismo à democracia parece frase feita, bordão, mas não é. A função social do jornalismo não é nos contar que Maísa Silva foi à praia de biquíni ou que Anitta fez um curso para massagear testículos. É nos contar como quem detém os meios de poder está agindo para que nós, sabendo disso, possamos nos manifestar politicamente, fazendo escolhas sociais, éticas, políticas e eleitorais, demonstrando com nossas reações se concordamos ou não com a forma como as coisas à nossa volta estão funcionando. Conceitualmente, o nome disso é deliberação.

O jornalismo, em condições ideais de funcionamento, nos informa sobre o funcionamento do mundo para que nós possamos deliberar na esfera pública, nos posicionarmos como cidadãos. Tomamos decisões com base nas informações que temos. Quando o jornalismo erra, fracassa nisso, silencia ou adultera os fatos, a opinião pública é estimulada a tomar decisões que estão ancoradas em equívocos, desinformação ou manipulações.

Por outro lado, hoje, com a polarização política, é cada vez maior a quantidade de gente no mundo que não está interessada na verdade sobre nada, contada por jornalistas ou por quem quer que seja. O que se vulgarizou sob o termo fake news é a falsificação de informações, a fraude dos fatos, a circulação de informações mentirosas, construídas estrategicamente por grupo políticos, religiosos, morais e consumidas por equívoco, mas também por muita gente que não tem o menor interesse na versão objetiva ou real dos fatos. As pessoas hoje tendem a estar interessadas em suas próprias verdades. Os fatos não agradam nossas expectativas, nossos pensamentos desejosos? Então a gente adapta os fatos e condena/ataca o jornalismo que está cumprindo o seu papel social, nos casos em que está.
 

Alô Alô Bahia: Qual é o papel das redes sociais para o seu trabalho como jornalista e professora e quais você acredita que sejam os cuidados que o público precisa tomar para consumir e compartilhar de maneira responsável essa grande quantidade de informações que circula todos os dias?

Malu Fontes: As redes, para mim, pois cada um customiza as suas e as utiliza para o que quiser, como quiser, são uma espécie de baciada do mundo que contém de tudo um pouco. Sigo pessoas e páginas que adoro, que detesto, institucionais, de humor, de ídolos. No meu caso, são uma amostragem do mundo público e da vida privada de pessoas públicas e comuns. Me informam? Em alguma medida, sim. Mas não são minhas fontes primárias de informação. Faço uma espécie de curadoria e sempre coloco as informações que vejo antes, ali, sob o filtro dos meios formais de informação.

Não é verdade que fontes não profissionais de informação e que não nos cobram nada por isso vão nos informar completamente. Informar-se é fazer uma curadoria minimamente criteriosa do que nos chega e custa tempo e dinheiro. Não respeito jornalistas que não gastam dinheiro com assinatura de produtos, que não leem. Mas eu não sou parâmetro. Faço isso por obrigação e por vício profissional. Não sou blogueira e não pago contas com likes ou compartilhamentos. Rede social é ponto de partida para refletir sobre as coisas, inclusive sobre o que postamos e sobre nossos próprios equívocos.

 
Alô Alô Bahia: Profissionais como o Paulo Henrique Amorim e Ricardo Boechat faleceram este ano, causando uma comoção muito grande nas pessoas que acompanhavam o trabalho de ambos. Quais você acredita que foram as principais contribuições deles para o jornalismo brasileiro?

Malu Fontes: Nas bolhas em que vivemos, envoltos em super camadas de informação, a maioria inútil, rasa e mal construída, há um contingente de pessoas, da audiência do jornalismo, em busca de bússolas informativas. E, paradoxalmente, o que temos em excesso são manadas, hienas anódinas nos berrando coisas que não despertam atenção, tesão, interesse em que, de fato, quer se informar. E o jornalismo está cheio de discursos beges, bonitinhos ou engraçadinhos. Pessoas poderiam amar ou odiar Boechat e Paulo Henrique, já que estamos falando dos dois. Ambos eram controversos, polêmicos, e agora estão mortos. O que eles tinham em comum e por que provocaram comoção para além das 24 horas de duração de uma stories? Porque não eram beges, davam a cara a tapa, pagavam a fatura de dizer coisas, inclusive acumulando processos judiciais. E não eram processados por pregarem achismos. Todo idiota acha tudo sobre tudo. Estamos falando de contexto, de informação, de repertório, de crítica contundente, de personalidade impressa no que se diz, de profissionais que apertam o botão da zona de conforto, se inscrevem todo dia na história do país, colocam dedos nas tomadas dos mais poderosos. E, obviamente, embora pareça clichê, estamos falando também de humor, sarcasmo, picardia, carisma. Esses são elementos da epiderme do jornalismo, que fazem toda a diferença, mas parecem estar em extinção. É saudável e revolvedor ler, ver e ouvir quem nos instiga, quem nos belisca e morde com palavras, mesmo que a gente discorde do que é dito. Não à toa, Reinaldo Azevedo vem hoje ocupando o lugar que ocupa. As pessoas podem discordar dele, mas ele está sentado sobre a segurança de saber do que fala. Alguém estremece um neurônio ouvindo a burocracia embolorada de um Alexandre Garcia, sobre o que quer que seja? É um agradador dos semelhantes, só isso. Uma voz que se deixou fixar voluntariamente numa estação tediosa da história. Seu público embolorou junto e não tem expectativas quanto a nada solar vindo dele. Sua audiência é a de quem teme o desconforto do contraditório.
 

Alô Alô Bahia: Você tem algum desejo profissional que ainda não realizou?
  
Malu Fontes: Quem não deseja, já morreu. Sou zero sonhadora, mas desejos são diferentes, de outra ordem dos sonhos. Sou bem obediente a desejos. Faço o que faço hoje por escolhas. Fiz trocas nem um pouco pragmáticas por absoluto desejo. Acho um privilégio luxuoso ter um trabalho que me obriga a ler de tudo, a folhear o mundo todos os dias, mesmo agora, quando as coisas andam meio eclipsadas no jornalismo, na universidade... Talvez meu desejo mais claro seja escrever com regularidade e escrever melhor. Mas sofro de deformações que emperram esse desejo: indisciplina, overdose de interesses e auto-boicote.
 

Alô Alô Bahia: Uma recomendação de filmes, música e livros para o público do Alô Alô Bahia.

Malu Fontes: Pode ser mais de uns, e só para hoje? Nunca iria para uma ilha deserta com uma escolha só...
 
Filmes:

Dor e Glória
Pedro Almodóvar/2019
 
Chame-me pelo seu nome
Luca Guadagnino/2017
 
Incêndios
Denis Villeneuve/2011
 
Livros:

Para agora, três livros óculos para compreender como estamos vivendo, no mundo, nas cidades, nas redes, dentro de casa:
 
Dentro do nevoeiro - Guilherme Wisnik
A casa no Brasil - Antônio Risério
Lugares distantes - Andrew Solomon
 
Canção:

Descomunal - Rael

 

21 Jul 2019

Marcus Jatobá, da Gran Empreendimentos, revela que irá investir 65 milhões nos próximos quatro anos no Horto Florestal

A entrevista com o engenheiro civil Marcus Jatobá vem num momento importante. Ele, que se associou a Gran, incorporadora boutique que tem construído empreendimentos de luxo com alta qualidade e em bairros nobres de Salvador. Juntos, acabaram de apresentar ao mercado o novo projeto, o Terrazzo Santa Luzia, no Horto Florestal, e prometem cerca de R$ 65 milhões para os próximos 4 anos, todos também no bairro. Confere nosso bate papo exclusivo logo abaixo.

Alô Alô Bahia - Jatobá, fale um pouco sobre a sua experiência no Grupo JSouto, sua vivência com obras e sobre a parceria com a Gran Empreendimentos.

Marcus Jatobá - Eu sou engenheiro civil formado em 1996. A JSouto foi fundada pouco tempo depois, no ano 2000. Tem 19 anos de existência e começou como uma construtora voltada para atender ao seguimento do varejo. Ao longo desses anos acumulamos clientes como: McDonald’s, C&A, Riachuelo, Renner, Perini, GBarbosa... São mais de 600 mil m2 de obras realizadas em todo o Brasil.

Loja Renner na Oscar Freire - SP.  Obras sendo finalizadas para inauguração em agosto/19.

Em 2017, conheci um sócio da Gran e, analisando alguns investimentos, fizemos o primeiro negócio juntos. Percebi que a seriedade e maneira direta de condução dos assuntos tinha muita sintonia com o DNA da JSouto. Foi então que me associei à empresa. Visitei o Terrazzo Caminho das Árvores, construído por eles, gostei do que vi e isso me deu mais segurança ainda em fazer parte da sociedade. Assim passamos a atuar juntos e desenvolvemos o meu primeiro empreendimento com a Gran, o Terrazzo Santa Luzia, que com apenas 2 meses de lançado já conta com 50% das unidades vendidas. Na sequência, adquirimos um segundo terreno no Horto Florestal, cujo projeto já está em desenvolvimento, dessa vez numa parceria entre a Gran e a Construtora Civil.
 
AAB - Porque escolheu a Gran Empreendimento?

MJ - Porque tem Empreendimentos diferenciados, com alta qualidade e comprometimento com o bem-estar dos clientes. A Gran desenvolve produtos com excelente acabamento, bem localizados e feitos para morar bem sem precisar pagar muito por isso. Desenvolveram uma forma de atender as principais demandas dos clientes sem precisar de apartamentos muito grandes, por exemplo. A Gran tem um propósito. As pessoas que estão no dia a dia da empresa tem vaidade profissional para fazer sempre o melhor sem desperdiçar recursos.
 
AAB - Em que momento você percebeu o potencial do Horto Florestal e porque investir nesse bairro?

MJ - Há aproximadamente 2 anos percebemos que o bairro tinha potencial para outros empreendimentos, como o Terrazzo Santa Luzia. Hoje, o Horto Florestal é um dos bairros mais cobiçados pela classe média alta de Salvador. Um bairro de alto padrão, completo, que evoluiu, amadureceu e melhorou muito nos últimos 10 anos. Eu moro aqui desde esse tempo e pude viver essa evolução. Antes, o bairro não tinha nem serviço de conveniência e tínhamos que sair para absolutamente tudo. Hoje, temos uma outra realidade e não precisamos mais sair do bairro para nada. Temos delicatessen, supermercados, restaurante, pizzaria, cafés, salões de beleza, farmácias, lavanderia e cada vez chegando mais operações que completam e melhoram esse mix.
 
AAB - Fale sobre o novo empreendimento que lançaram. Como será o Terazzo Santa Luzia e quais os seus diferenciais?

MJ - O Terrazzo Santa Luzia é um edifício residencial. São 28 unidades distribuídas em 14 andares tipo, com plantas medindo entre 82 e 96m2. O projeto conta com academia, piscina com deck, salão de festas, espaço confraria, salão de jogos, brinquedoteca e miniquadra. Além disso, foi destinado um espaço comercial, com acesso completamente independente, onde teremos uma operação na área de estética/SPA, espaço fitness ou outra, com intuito de trazer ainda mais comodidade, praticidade e conforto aos moradores.

Acredito que esse empreendimento tem alguns diferenciais que merecem ser destacados. Primeiro, o projeto do arquiteto José Marcelino, que foi muito bem elaborado e permite uma flexibilidade de planta fantástica. Depois, o projeto de decoração de interiores, elaborado pelo arquiteto Flávio Moura, que traz a sua marca para o empreendimento. Por último, a entrega, a qualidade do produto e o compromisso com o prazo, já que estamos com uma equipe técnica de primeira linha. São profissionais extremamente experientes, que já projetaram e lideraram a construção de prédios de luxo em nossa cidade, dentre eles o Vale do Loire e o Morada dos Cardeais.
 
AAB - Quem está na linha de frente da Gran e qual o propósito que os une?

MJ - Temos profissionais e empresários bem-sucedidos no quadro societário. O engenheiro Hermano Viana, com experiência adquirida em grandes empresas como Odebrecht, está à frente das obras; o empresário e advogado Alexnaldo Lacerda está tocando a área comercial e o empreendedor e administrador de empresas André Azin, com larga experiência no mercado financeiro, com participação no desenvolvimento dos empreendimentos Pátio Santa Luzia e Arbus, cuida das finanças da empresa. Todos qualificados e pessoas comprometidas e muito sérias em seus negócios, com histórico empresarial de caráter e entrega. E muita, muita dedicação ao negócio. Isso nos uniu bastante. Vamos realizar muita coisa juntos e saberemos como investir no Horto Florestal. Temos um orçamento de 65 milhões para desenvolver nos próximos 4 anos esses 2 produtos. Um já completamente viabilizado e outro em desenvolvimento para ser lançar. Acredito que daqui para frente os compradores de imóveis vão ouvir falar muito da Gran Empreendimentos.
Fotos: Elias Dantas /Alô Alô Bahia. Siga o insta @sitealoalobahia.

29 Jun 2019

Antonio Peres Júnior fala sobre a importância do acordo de livre comércio firmado pelo Mercosul e a União Europeia

Em entrevista ao Alô Alô Bahia, o Cônsul da Romênia na Bahia e presidente da ABRESCO, Antonio Peres Júnior, falou sobre a importância do acordo de mercado livre firmado, ontem (28), pelo Mercosul e a União Europeia. Antonio nos recebeu em seu escritório, no Horto Florestal, onde respondeu as seguintes perguntas. Confere!

Alô Alô Bahia – Como você, como Cônsul da Romênia na Bahia – e, portanto com um olhar importante sobre os dois lugares – enxerga o acordo comercial fechado nesta sexta-feira, após 20 anos de negociação?

Antonio Peres Junior - Este acordo é objeto de longeva negociação e debates, por exatas duas décadas, já que teve início em junho de 1999. Durante este período, estivemos à ponto de firmá-lo por várias vezes, e por várias vezes, óbices das mais diversas matizes impediram-no de ser concluído. Afinal, estamos falando de miríades de itens comerciais debaixo da proteção tarifária dos países que os produzem, na forma do instituto da "barreira alfandegária". Para a Romênia, é uma honra estar à frente da Presidência da União Europeia, neste momento, sem dúvida histórico e sem dúvida ter contribuído, assim como a Espanha e Alemanha de forma destacada para este desfecho.

Alô Alô Bahia – Qual o impacto desse acordo na vida dos brasileiros? E dos baianos?

Antonio Peres Júnior - Em termos práticos, vai da possibilidade, por exemplo, de se poder tomar um bom vinho espanhol, francês, italiano, ou romeno, por exemplo, à um preço muito mais viável, ao acesso à produtos alimentícios de alta qualidade, hoje considerados "gourmet", cosméticos, roupas, etc., por preços que a classe média não está acostumada a pagar. Isto se dará porque alguns produtos terão as "tarifas zeradas". É dizer, estarão livres de impostos, que são os grandes responsáveis pelos aumentos dos custos dos produtos importados. Para que se tenha uma ideia, há produtos que chegam a custar 150% mais caro no Brasil, do que na Europa, em função desta proteção de mercado, que será gradativamente expurgada. Sendo ainda mais claro, e sem receio de exageros, a qualidade de vida do brasileiro e do baiano melhorará substancialmente, em função de mudanças em seus hábitos culturais de compras que serão experimentados, gradativamente. Por fim, a entrada de produtos europeus, que são sempre submetidos à padrões de qualidade rigorosos, em função de um mercado consumidor exigente e agências reguladoras muito ativas em seu dever de fiscalizar, resultará em um maior esforço dos fabricantes nacionais quanto a qualidade de seus produtos. Resultado: O consumidor ganhará de várias formas!

Alô Alô Bahia - Como a ABRESCCO, instituição de vanguarda que já faz o relacionamento entre Brasil e Europa, se comportará diante desse acordo?

Antonio Peres Júnior - A ABRESCCO tem esperado este acordo, ansiosamente. Afinal, causa umimpacto direto em suas atividades institucionais, comerciais e culturais, na medida em que temos que perceber as consequências colaterais que estão por detrás de qualquer acordo comercial internacional, especialmente desta magnitude: As aproximações culturais, turísticas, industriais e macroeconômicas, em um sentido latu sensu. Sabemos que o turismo eno-gastronômico, por exemplo, movimenta milhões de dólares em países como a França. A oportunidade, pois, será ímpar para o Brasil ser mais conhecido na Europa, por meio de seus produtos, e alterar a taxa vexatória de menos de 7 (sete) milhões de turistas internacionais ao ano, que se equipara a da cidade de Santiago de Compostela, na Espanha, por exemplo. A ABRESCCO, portanto, será ainda mais buscada por investidores e empresários europeus que queiram investir no Brasil e, evidentemente, também por brasileiros que queiram investir e vender seus produtos na Europa. Nos preocuparemos, claro, com o aspecto cultural, que é marca indissociável de nossa empresa, buscando aproximar nossos valores e talentos artísticos da Europa e vice-versa.

Alô Alô Bahia - A Romênia, país em que o senhor é Cônsul, dirige atualmente a União Europeia. Qual a importância desse feito e os impactos específicos para o país?

Antonio Peres Júnior - Primeiramente, é certamente uma honra para a Romênia fazer parte da História, neste momento tão singular do Comércio Exterior e da Diplomacia. Ademais, na condição de atual país Presidente da União Europeia, faz parte de uma forma distinguida desta História. Não bastasse, a Romênia que tem alcançado índices de desenvolvimentos econômicos assustadores, como um PIB de 6,9% no ano passado, poderá disponibilizar os seus produtos aos países do Mercosul, como os seus vinhos de altíssima qualidade, aqui no Brasil pouco conhecidos, recrudescendo a sua balança comercial e aumentando o seu bom desempenho macroeconômico, o que refletirá em seus índices, por certo, sociais positivos. De minha parte, como acabo de ser promovido à Cônsul-Geral da Romênia em Salvador - Bahia, notícia que divulgo em primeira mão, nos meios não oficiais e institucionais, só tenho à celebrar esta feliz coincidência, agradecendo ao nosso diligente e preparado Embaixador da Romênia no Brasil, Stefan Mera, pela confiança, assim como à Romênia, país que represento com muito orgulho.

Alô Alô Bahia - Em termos macroeconômicos e políticos, como isto afeta o Brasil?

Antonio Peres Júnior - O Brasil é uma super potência em agrobusiness e poderá recrudescer a oferta destes produtos na Europa. É por exemplo, o primeiro produtor e exportador de laranja; o segundo produtor e primeiro exportador de frango; o segundo produtor e primeiro exportador de soja; o terceiro produtor e segundo exportador de milho e o maior exportador de carne bovina do mundo. Supõe-se que o Brasil terá um incremento direto em seu PIB, resultante deste acordo, muito expressivo. Em torno de 125 bilhões de dólares, em 15 anos. Os investimentos advindos de empresas estrangeiras poderão chegar a 113 bilhões de dólares, neste mesmo período. Isto quer dizer que o Brasil pode estar vivenciado uma "conjunção astrológica" muito positiva, quando combinados aspectos naturais, como o descobrimento da jazida de gás natural entre Sergipe e Alagoas, com aspectos comerciais internacionais como este importante acordo, o segundo mais e expressivo da União Europeia. É possível que a frase cunhada por Stefan Zweig, de que "o Brasil é o país do futuro", finalmente seja comprovada e constatada por todos nós, em poucos anos! Penso que, sem dúvida, ontem foi uma data, de veras, histórica!

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13 Jun 2019

Alô Alô Bahia entrevista o ator baiano Hugo Moura

No ar em 'Malhação - Toda Forma de Amar', o ator baiano Hugo Moura vive o personagem Daniel, um professor de Muai Thai que decide abandonar sua vida de luxo nas praias da zona sul para viver com pouco dando aulas de luta na baixada. 

Em entrevista ao Alô Alô Bahia, ele revela os desafios da carreira artística e do atual cenário da cultura no Brasil, além de compartilhar os aprendizados que a pequena Maria Flor, filha dele com a atriz Deborah Secco, tem lhe trazido. Confira!


Alô Alô Bahia: O que te motivou a seguir carreira artística?

Hugo Moura: 
A necessidade da arte na minha vida. Sempre precisei assistir um bom filme, precisei ler um bom livro e assistir uma boa peça de teatro. Sempre foram necessidades pra mim.

Alô Alô Bahia: O incentivo à arte é algo presente no Brasil? Como você avalia o atual cenário da cultura no Brasil?

Hugo Moura: A arte é inerente ao ser humano. Sempre sobreviveu à guerras e ditaduras. Tenho certeza que sobreviveremos ao momento de demonização da classe artística. Olhando pra frente, tenho certeza que um dia a ficha vai cair e entenderemos que a nossa melhor arma contra o crime organizado é o poder da oportunidade. Incentivando a cultura, o esporte e a educação mudaremos esse jogo.

Alô Alô Bahia: Quem são os profissionais que te inspiram enquanto ator?

Hugo Moura: 
A Deborah com certeza. A paixão com que ela vibra depois de 31 anos de carreira é realmente invejável. Outro cara que eu admiro muito é o Vladimir Brichta. Ele nunca escolhe o caminho óbvio, sempre surpreende.

Alô Alô Bahia: Quais conselhos você daria para as pessoas que trabalham com arte e estão também em processo de construção de uma carreira sólida?

Hugo Moura: Eu preciso desses conselhos! Hahahaha Mas uma coisa que me puxa sempre é lembrar qual o meu ofício. Qual é realmente o meu trabalho, sabe? Hoje, com a internet, algumas pessoas que trabalham com arte se confundem um pouco do que é realmente o seu trabalho e o que deriva dele.

Alô Alô Bahia: Quais são os seus próximos projetos profissionais?

Hugo Moura:
Nesse momento quero focar na Malhação. Acabamos de começar, a rotina é realmente cansativa e eu quero estar bem para cumprir o meu papel da melhor forma.

Alô Alô Bahia: É sabido o seu desejo de aumentar a família com a Deborah Secco. Quais aprendizados a paternidade lhe trouxe? A Maria Flor já tem demonstrado afinidade com a arte?

Hugo Moura: 
A maior coisa que a Maria me ensinou foi que eu era muito egoista. Pensava em mim o tempo todo! Hoje, penso primeiro nela e como ela vai se sentir, depois vejo o que eu penso. Ela dá sinais de que gosta de criar, encenar e cantar histórias. Mas nós dois, eu e Deborah, tentamos, na medida do possível, influenciar o mínimo possivel na escolha dela. Apoiaremos 100% se ela quiser ser atriz, cantora, diretora, advogada ou funcionária pública.

Alô Alô Bahia: Sobre os desafios da paternidade, como você acredita que as pautas da liberdade, respeito e empoderamento podem estar presentes na criação dos filhos, principalmente das meninas, desde o início? De que forma você e a Deborah trazem isso para a criação da Maria Flor?

Hugo Moura: O tempo inteiro. Essas pautas, inclusive, devem estar presentes no nosso dia-a-dia de seres humanos e não só de pais. Nós trazemos isso nas peças teatrais que levamos ela, nos filmes que assistimos, nas nossas conversas na mesa, nas brincadeiras e etc. E, diferente da maioria da sociedade hoje, ela lida com isso da maneira mais natural possível.
 

20 Mai 2019

Alô Alô Bahia entrevista Alice Ferraz, criadora do F*Hits, a primeira digital Media Company brasileira

Alice Ferraz, criadora do F*hits – primeira digital Media Company brasileira – trouxe pela segunda vez consecutiva o seu QG para o DFB Festival, este ano. O Alô Alô Bahia foi recebido por ela, no espaço, e em um bate papo descontraído, conversamos sobre moda, seu livro e influenciadoras do Nordeste. Confiram: 

Alô Alô Bahia: Você já foi considerada uma das 20 mulheres mais poderosas do país e uma das 500 mais influentes do mundo. Como seu deu isso?
Alice Ferraz: Com muito trabalho. Não venho de uma família de moda, vim de uma família tradicional de São Paulo, quando estudei nem existia faculdade de moda. Ninguém acreditava nesse trabalho de comunicação de moda, então fui cavando oportunidades e me dedicando com afinco. E é maravilhoso, porque posso mostrar para as pessoas que tudo é possível.

Alô Alô Bahia: você esteve recentemente, por exemplo, com a Carolina Herrera...
Alice Ferraz: Exatamente. E ela começou a marca dela aos 40 anos. Eu comecei o F*Hits, aos 40 anos, apesar de estar há 25 anos da moda. Então, essas listas que me posicionam me fazem provar as pessoas que com trabalho, podemos chegar onde quisermos. Esse propósito muda tudo.

Alô Alô Bahia: Como nasceu a ideia do F*Hits?
Alice Ferraz
: Eu trabalhava com moda há 15 anos. Tinha uma agencia de comunicação e assessoria de imprensa, muito bem posicionada no mercado, e comecei a fazer campanhas de desfiles. Em um determinado momento percebi que não estávamos convencendo com a mídia que era papel. Quando estava em Nova York, em uma semana de moda, vi um blogueira na primeira fila, ao ler seu conteúdo, pensei: é dessa forma em primeira pessoa que devemos apostar, para não ser distante.  Não poderia mais ser a marca falando da marca, precisava haver uma experiência.  Isso foi há 10 anos atrás, quando nem existia o Instagram. E de lá para cá, tudo me provou estar correta.

Alô Alô Bahia: E recentemente você lançou um livro impresso. Engraçado, né?
Alice Ferraz
: Recebi o convite da editora Gente, que já vendeu mais de 10 milhões de livros. Eles acharam que minha forma de comunicar era inclusiva e achavam que quem era da moda, seguia de forma exclusiva. Eu não acho que precisamos escolher uma coisa ou outra. O digital tinha que vim. Leio muito livro e consumo muita internet. E foi uma maravilha, já vendemos bastante e eu adoro. Estamos inclusive pensando em criar uma nova edição, já que em 2 anos tudo muda.

Alô Alô Bahia: E teve o lançamento em Salvador...
Alice Ferraz
: Para todo brasileiro a Bahia é especial. É um cartão postal mundial. Então, foi uma vontade minha de pertencer e me incluir dessa forma, mesmo não conhecendo muita gente lá.

Alô Alô Bahia: Explica esse conceito do QG F*Hits, que você leva para as semanas de moda...
Alice Ferraz: O QG é uma experiência "Phygital", ou seja, física e digital. As influenciadoras estão aqui, presencialmente e ao mesmo tempo, criando um conteúdo sobre o evento que é amplificado digitalmente. Então as pessoas podem vim aqui. Em São Paulo, fazemos palestras, encontros e minha vontade é fazer isso de cada vez mais imersiva. O QG F*Hits é poroso, quando ele está em Paris, ele tem a cara de Paris, e quando ele está em Fortaleza, ele tem a cara de Fortaleza.

Alô Alô Bahia: E vocês têm apostado em influenciadoras do Nordeste...
Alice Ferraz
: Sim bastante! Elas tem crescido muito dentro da rede. São pessoas trabalhadoras, organizadas, sérias, corretas, bem relacionadas, criando um conteúdo de qualidade. Então, venho inclusive para estar com elas.

Alô Alô Bahia: Como é essa curadoria?
Alice Ferraz
: Eu olho vários dados mas também se a pessoa quer ter essa profissão de criadora de conteúdo. Cada uma delas é considerada uma Publisher. Então, vejo se elas tem disponibilidade de viajar pelo mundo, por exemplo. Mas focamos muito em um conteúdo de qualidade, através do seu olhar.      

Alô Alô Bahia: E agora você faz parte do time de Mentores da Polimoda, para una pós graduação em Fashion Marketing...
Alice Ferraz: Exatamente. É uma parceria do F*Hits com o instituto líder de moda Italiana Polimoda, com a Pós-graduação em Fashion Marketing and Communications, onde me torno mentora do curso. Estamos ansiosos para fazer parte deste programa de pós-graduação e compartilhar nossa metodologia. Comunicação, publicidade e moda estão entre as várias indústrias que foram interrompidas nos últimos anos. Existe um espaço central para a Mídia Social, que cria uma onda de consciência, consideração e consumo, enquanto agrega valor à experiência do consumidor. Então, a questão não é sobre o uso das mídias sociais, mas sim sobre como as
mídias sociais são usadas.

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25 Abr 2019

"Tenho a sensação de que uma vida é pouco para fazer tudo", diz Fernando Torquatto em entrevista ao Alô Alô Bahia

Em meio a uma agenda atribulada, com cursos e editoriais, Fernando Torquatto nos recebeu, minutos antes de iniciar uma maratona de atendimentos em Salvador, no Hotel Fasano. No bate papo conosco, falou do começo da sua carreira, como nasceu a ideia de um livro para celebrar os 25 anos de sucesso, sua relação com a Bahia e claro, sobre a beleza da mulher baiana. "Estou aqui para celebrar tudo isso", disse ele. Confiram... 

Alô Alô Bahia: Como nasceu a ideia do livro que marca seus 25 anos de carreira?
Fernando Torquatto: O livro chega para marcar um ciclo. Estou em um momento de plena consolidação de carreira. Então, agora eu tive vontade de que as pessoas pudessem ver e olhar aquilo tudo do que eu fiz. Às vezes pegamos um automático e não percebemos o tanto que já fizemos então isso tá sendo muito bom para que eu possa avaliar a minha própria trajetória. Por exemplo, na época da revista QUEM, eu tinha que fazer toda semana um ensaio diferente, então não tinha tempo de apreciar. E agora fui analisar as coisas e fui ver o quanto eu já era afortunado desde aquela época. Então a ideia é celebrar por estar há 25 anos no mercado, que já é um número bem significativo.

Alô Alô Bahia: Você tinha todo esse acervo? Como se deu o processo de reunir esse material?
Fernando Torquatto: Eu já vinha elaborando isso. Na verdade acho que desde que nasci eu queria fazer um livro (risos). Desde que comecei a ganhar dinheiro eu sempre investi em livros. Eu viajava e comprava no mínimo três livros e era engraçado como aquilo pesava na mala. Também no Brasil não havia o acesso que temos hoje em dia. Então eu tenho muitos livros em casa e aí comecei a perceber que faltava o meu ali, naquele acervo (risos).  Aí voltou aquele desejo de garoto. Então não me planejei muito. Fui assistir um desfile em São Paulo que era do patrocinador, conheci a pessoa de marketing e sabe quando de cara dá certo? Dei a ideia e no no dia seguinte ela me ligou e disse que estava tudo certo. Que eu teria o meu livro. E na editora que eu sempre sonhei, que eu queria trabalhar. Então eu corri atrás. Trabalhei em selecionar tudo, revirei arquivos e mapeei por nomes de gente que eu gosto e que não poderia ficar de fora.

Alô Alô Bahia:  Como será o lançamento?
Fernando Torquatto: As capitais estabelecidas no projeto são: Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. E eu quero também fazer em Salvador, nem que seja na praça (risos). Aqui eu sei que irei fazer! E tem vários formatos. Lá em São Paulo, por exemplo vai ter uma exposição. Eu acho bacana o todo, porque não é uma festinha de comemoração. É uma grande celebração e aqui eu tenho certeza que vai acontecer, de uma maneira ou de outra.

Alô Alô Bahia:  Você chegou onde você queria? 
Fernando Torquatto: Sempre penso em qual será o próximo passo. Mas chega uma hora que temos que relaxar um pouco. Parar, olhar o pôr do sol e aproveitar um pouco o momento. E isso é um pouco difícil, fico meio agoniado e essa inquietude me fez ser mais relevante e ficar até hoje como estou no mercado e na posição que estou. Eu gosto de movimentar o meu interior, o meu criativo, me dá trabalho mesmo de verdade, mas é como eu quero que as pessoas cada vez mais possam sentir o que eu estou fazendo. Eu ainda tenho tanta coisa incrível para  fazer tudo que quero. E as vezes eu tenho uma sensação de que uma vida não é o suficiente.



Alô Alô Bahia: E em qual o momento da vida você despertou para o que queria fazer? 
Fernando Torquatto: Aconteceu! Porque eu sabia que eu era diferente. Diferente no sentido que eu não teria nenhuma tendência de fazer nada formal. Então eu gostava de cantar, pinta, desde pequeno gostava de interpretar, ver muitos filmes com minha mãe. Meu pai fotografava como hobbie, minha irmã cantava, tocava guitarra. Eu tinha uma coisa que ao mesmo tempo que eu queria fazer algo no palco, eu era muito fechado e isso fui fazendo curso de teatro e percebendo que eu não tinha o preparo emocional para aquele tipo de disposição. Fui caindo mais pra área das belas artes, e achei também que era muito solto. E quando eu vi que existia comunicação visual, tinha desenho, tinha fotografia, achei que era algo mais próximo do que eu queria para minha vida. E como era muito abrangente, eu adorei.

Alô Alô Bahia: Então primeiro veio a fotografia...
Fernando Torquatto: Isso! Na questão da fotografia me encaixei muito. Porque ali eu estava em contato com o que eu gostava, eu gostava de gente e aproveitava para falar com todo mundo da faculdade e convidava para fotografar e já pegava a maquiagem e fazia um delineador, uma make anos 60. De modo geral, algo que parecesse mais desenho na verdade. Anos 60 era perfeito e fui tendo habilidade. Nesse momento fui trabalhar em uma loja e um diretor de comercial que era meu cliente, viu uma foto minha e me convidou para fazer um trabalho com ele e ali tudo se iniciou.  De qualquer maneira não ficava preso em lugar nenhum e trabalhava com refletores, com luzes, com diretores, e aquilo ali era muito estimulante porque eu também fugia da realidade. Ficava 8 horas preso em um estúdio e esquecia que a vida normal existia. Depois também fiz um desfile pequeno, depois uma coisa maior. Comecei a trabalhar em 1994 e já ganhei um prêmio como melhor maquiador do Brasil. Enfim, tudo também era uma forma de eu registrar meus trabalhos. Então eu chamava o povo no cantinho, as meninas, os meninos, as modelos e fazia as fotos. E algumas dessas fotos estão comigo até hoje. Então é muito incrível. Aquele momento de escape que eu tinha, surrupiava a modelo em uma posição e fazia meu registro, virou um olhar, uma marca.

Alo Alô Bahia: E depois disso, houve momentos que as grandes marcas de beleza do país queriam ter você agregadas a elas. E isso foi um passo importantíssimo, depois foi ao contrário. Como foi essa transição?
Fernando Torquatto: Foi muito importante. Porque eu fui o 1º maquiador a assinar como uma multinacional que foi a L’Oréal e eu era uma espécie de embaixador porta voz e aquilo me colocou em um outro patamar. Comecei a ficar pop dentro deste universo. Depois foi como você falou. As coisas se inverteram um pouquinho. Em 2003, fui chamado para fazer a minha primeira novela, que foi “Da Cor do Pecado”. Depois a Joyce Pascowitch me convidou para ter uma coluna na revista QUEM, onde eu já tinha exposto minha vontade de ter um espaço daquele tipo. E virou uma coluna que cresceu, onde criei o meu universo e todos entendiam por que tinha ali uma licença poética. Essa combinação me levou para outra esfera e virei um cara muito conhecido. Foi aí quando entrei no Grupo Boticário, e a ideia já era outra, criei a MakeB, e foi uma parceria duradoura.

Alô Alô Bahia: Também teve programa de televisão...
Fernando Torquatto: Sim! E veio a questão do Super Bonita, exibido pelo GNT. Então, foram os 3 pilares onde consolidei a minha carreira. De A a Z, para qualquer tipo de público, uma pessoa muito simples sabia quem eu era e uma pessoa extremamente sofisticada também.
 
Alô Alô Bahia: Nesse tempo de carreira, alguns artistas fizeram parte de um momento especial de sua vida?

Fernando Torquatto: Esse trio:  Reinaldo Gianecchini, Tais Araújo, Giovanna Antonelli, nós criamos um vínculo muito forte que se estabeleceu na novela “Da Cor do Pecado”, na TV Globo. Era um passo muito forte para todos nós. Como a Taís Araújo falou no depoimento do livro. “Não é que eu fui um profissional incrível, eu fui um ombro amigo”. Tem também a Carolina Dieckmann também eu amo, a Preta Gil, a Isis Valverde e a Alice Wegmann. Na Bahia, tem a Ivete Sangalo, com quem trabalhei, e é incrível! E a Daniela Mercury, que tem se tornado uma pessoa cada vez mais especial.

Alo Alô Bahia:  E sua história com Salvador. Você é praticamente um baiano...
Fernando Torquatto: Eu adoro a Bahia. Me sinto muito feliz aqui! Já venho há 16 anos, mas com certeza o grande divisor de águas dessa situação é o Carlos Rodeiro. Desde que nos conhecemos e nos tornamos amigos, desde que percebi o quanto ele é generoso e do bem, o quão busca interferir de forma feliz na vida dos seus amigos, eu não quis deixar de estar com ele, aqui. Ele me trouxe para viver a cidade, para olhar o pôr do sol na Baía de Todos os Santos, para aproveitar um café da manhã que só tem na casa dele. Esse mix de coisas incríveis e simples, me fez amar tudo aqui. Sou fã do talento dele, ele representa o que a Bahia tem de melhor em todo o mundo.     
 
Alo Alô Bahia:  Conta como funciona seus cursos de automaquiagem...
Fernando Torquatto:  Eu venho exercitando vários formatos. Desde uma sala mais intimista, como faço aqui em Salvador, com 10 ou 12 pessoas, até em praça de shopping, por exemplo, porque eu sempre quis acessibilizar meu conhecimento. Para uma mulher mais sofisticada que está acostumada a fazer com maquiador e as vezes tem preguiça ou acha que não é importante eu consigo fazer com que ela entenda que é importante que qualquer mulher moderna tem que saber se virar. E uma pessoa que não tem acesso nenhum a maquiagem, faço ela perceber que ela pode ir comprando aos pouquinhos suas coisas e como aquilo vai ser importante para vida dela, não só pessoal, mas também como também profissional, pois vai ajudar com que ela crie uma imagem que fique mais coerente com quem ela é. E eu vim pra cá e quis ficar uma semana para poder celebrar essa mulher baiana, celebrar essa beleza da mulher baiana, esto aqui para celebrar tudo isso! E óbvio que no meu discurso também vem imbuído essa questão da autossuficiência, de ter uma imagem, da importância da imagem, e eu sempre falo, antes que alguém queira dizer quem você é, mostra logo na sua cara quem você é.
 
Fotos: Reprodução. Siga o insta @sitealoalobahia.

20 Abr 2019

Alô Alô Bahia entrevista Julio Ribas

Pouco mais de um ano após assumir o aeroporto de Salvador, a Vinci Airports, que administra 46 termais em doze países pelas Américas, Europa e Ásia, tem desafios pela frente na capital baiana. Considerada a maior operadora privada de aeroportos do mundo, a empresa já realizou 60% das intervenções previstas na primeira etapa de obras em Salvador e, para a alta estação, os passageiros terão um jornada mais agradável pelo terminal. A primeira etapa, que vai até 31 de outubro, corresponde a 90% das intervenções exigidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) no contrato de concessão.
 
Quem garante é o diretor-presidente do aeroporto, Julio Ribas. Em entrevista ao Alô Alô, Ribas fala sobre os investimentos da Vinci, diz que as condições de infraestrutura encontradas pela empresa no terminal não eram ideias e reconhece que há preocupação com a extinção de rotas da Avianca. 
 
Alô Alô - Qual sua avaliação destes pouco mais de um ano de ano de trabalho da Vinci no terminal?
 
Julio Ribas - Evoluímos bastante, especialmente no que diz respeito à estrutura e qualidade do serviço oferecido aos passageiros. Apesar das obras de modernização não estarem concluídas, quem viaja pelo aeroporto já percebe diferenças, seja no conforto ou no atendimento. Tal fato se reflete nos números da Pesquisa de Satisfação aos Passageiros que vem melhorando ao longo do tempo. Desde que assumimos a administração do Terminal, deixamos o último lugar do ranking. Conseguimos atrair seis novos voos no ano passado. Após dois anos sem conexão direta com os Estados Unidos, conseguimos retomar a rota para Miami pela Latam. Destaco também as duas frequências semanais operadas pela Copa Airlines para a Cidade do Panamá, um importante centro de distribuição de passageiros para a América do Norte, América Latina e Caribe. Desenvolvemos uma boa relação com o trade turístico baiano, tanto com membros das associações, como com os integrantes das secretarias de turismo do governo do estado e da prefeitura. Percebo que há um grande empenho de todas as partes para desenvolver o turismo no estado. Além disso, estreitamos nossos laços com toda a comunidade aeroportuária, lojistas, terceirizados, órgãos públicos, etc.
 
Alô Alô - Os indicadores do aeroporto já começam a melhorar, mas ainda há críticas de usuários, especialmente as relacionadas à infraestrutura. Como responde?
 
Julio Ribas
- Desde que assumimos, em janeiro de 2018, já fizemos bastante coisa. Quando eu cheguei aqui, a gente almoçava transpirando na Praça de Alimentação. Hoje já estamos bem melhor em termos de conforto térmico. Já não temos mais problemas com sujeira nos banheiros, inclusive já inauguramos mais dois conjuntos de sanitários e bebedouros na área pública e em breve teremos mais dois, na área restrita aos passageiros. Reconhecemos que ainda há o que melhorar. Acreditamos que com o fim da primeira etapa das obras de renovação e ampliação, em 31 de outubro de 2019, a maioria das dificuldades enfrentadas serão superadas.
 
Alô Alô - Quando a Vinci assumiu, como classifica a infraestrutura encontrada?
 
Julio Ribas - A infraestrutura não estava em condições ideais. Os elevadores e escadas rolantes estavam em mau estado de conservação, havia pontes de embarque que não estavam operacionais, o aeroporto não contava com as licenças ambientais necessárias, não tinha sistema de detecção e combate a incêndio, tinha entulho acumulado. Toda a estrutura precisava realmente de manutenção e investimento, que é o que temos feito desde que começamos a administrar o local.
 
Alô Alô - Para o próximo período de alta estação, o que podemos esperar do terminal?
 
Julio Ribas - No início da alta estação, que começa em dezembro, a primeira etapa das obras de modernização e ampliação do Salvador Bahia Airport já estará concluída. Então os passageiros terão uma jornada mais agradável pelo aeroporto, encontrando conforto térmico, uma área de embarque mais ampla e novas opções comerciais. Todos os elevadores e escadas rolantes já terão sido trocados, teremos novas pontes de embarque e as já existentes estarão climatizadas, teremos mais banheiros disponíveis, entre outras melhorias. Os passageiros vão encontrar um Terminal mais moderno, funcional e com algumas áreas novas. É importante sinalizar que não vamos fazer grandes mudanças na aparência física do Terminal. As intervenções visam muito mais a funcionalidade e o conforto do passageiro do que alterações estéticas.
 
Alô Alô - Quais investimentos estão sendo planejados?
 
Julio Ribas
- Somente nas obras de modernização e ampliação estamos investindo cerca de R$ 700 milhões de reais. Esta verba será direcionada para diferentes intervenções, entre elas a ampliação da área construída em 22.000m², construção de um novo píer de aeronaves com 6 pontes de embarque, automação dos sistemas aeroportuários, implantação de um novo sistema de manuseio de bagagens, investimentos em sustentabilidade como a construção de uma Estação de Tratamento de Efluentes moderna (já concluída) e de um sistema de reuso de água, entre outros.
 
Alô Alô - Em quanto tempo teremos o aeroporto com o funcionamento pleno após todos investimentos feitos?
 
Julio Ribas - Já estamos com o aeroporto em pleno funcionamento e este é justamente um dos nossos maiores desafios, já que não temos como fechar o aeroporto para fazer as reformas. É importante sinalizar que mesmo após a entrega das obras obrigatórias que constam no Contrato de Concessão, os investimentos não param. Ao longo dos 30 anos de concessão, não vamos deixar de aprimorar a estrutura do Terminal.
 
Alô Alô - Quais as consequências da perda dos voos da Avianca? Isso é uma preocupação? E quanto à dívida da companhia, há alguma negociação em andamento?
 
Julio Ribas - A extinção das sete rotas anunciada pela Avianca em abril significa um impacto de 1,2 milhão de passageiros ao ano. Claro que isto nos preocupa, pois significa que voltaremos aos números de 2009. Porém, o aeroporto vai sobreviver. Temos o suporte de um grupo que administra outros 45 aeroportos no mundo. Então, o impacto sobre a Concessionária é pequeno. Muito mais grave é o efeito sobre os outros membros da cadeia de turismo, principalmente os micros e pequenos empresários. Quanto à dívida, ela está sendo cobrada pelos meios cabíveis.
 
Alô Alô - Sobre o imbróglio em torno do terreno onde hoje funciona um posto de gasolina, como a Vinci tem atuado para conseguir abrir nova concorrência no local?
 
Julio Ribas - Estamos aguardando as definições da ação judicial.
 
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